quinta-feira, junho 26, 2008

OS DENTES FALSOS DE GEORGE WASHINGTON





Então... meu pai andou hospitalizado no decorrer desse mês. A coisa ficou meio feia, ele teve que vir de Cabo Frio para aqui pro Rio de Janeiro, para ser internado e tals. E, é claro, veio uma 'entourage' para ficar com ele no hospital, pois ele precisava de acaompanhante(s). E, assim, acabei passando algumas (V-Á-R-I-A-S) noites com ele (não-)dormindo no hospital.

Assim, nesse momento de trevas no campo familiar, eu, meus irmãos e minhna madrasta fazíamos companhia a papai, em horários escalonados. E cada um de nós, em seu 'turno' era responsável pela higiene íntima&pessoal do velhote safado, que ia desde dar banho até a simples limpeza de sua dentadura.

Na segunda vez que fui dar uma boa escovada na dentadura dele, percebi que havia algo de diferente: ELA TINHA SIDO GRAMPEADA! Sim, havia um grampo, desses que fixamos em folhas de papel com um grampeador, bem no centro da parte da dentadura que fica no palato.

O mais bizarro foi que, quando perguntei a papai - gargalhando horrores - o porque desse grampo, ele me disse que foi um conserto provisório da dentadura, EXECUTADO PELO PRÓPRIO DENTISTA! Isso só acontece comigo: ter um pai com uma dentadura grampeada!

quinta-feira, junho 19, 2008

NOITE SEM FIM





Eu sou um muito apaixonado por livros da Agatha Christie.
O primeiro livro dela que parou em minhas mãos foi "O caso dos 10 negrinhos". A Tissa me emprestou, eu levei pra Cabo Frio mas nem dei muita bola, pois estava terminando de ler outro livro. Mamãe viu esse livro e pegou pra ler, porque gostava das obras da Dame Agatha. E ficou me perturbando na semana seguinte para (1) ler o tal livro e (2) conseguir outros exemplares pra ela poder ler.

A história de "O caso dos 10 negrinhos" é muito boa, muito bem desenvolvida, com um final beeeeeeeem surpreendente! Não é a toa que esse é um dos meus preferidos.

Comecei a ler esse livro pra passar o tempo, enquanto os convidados do aniversário do meu irmão Daniel não chegavam para a festa... e simplesmente não consegui parar! Fiquei lendo durante toda a festa, como um pária que, volta-e-meia, era alimentado pela mãe com algumas guloseimas... Juro que, se tivesse pizza no aniversário, era o que me serviriam, por debaixo da porta, como se eu fosse um leproso ou um emo (embora esse conceito não existisse na época).

Fiquei tão empolgado que nem consegui dormir, mesmo depois de ter terminado de ler... isso só acontece comigo!

Mas o pior aconteceu com a Tissa, na época em que leu esse mesmo livro. A pobre coitada estava deitada na rede, na casa de praia dos avós, altas horas da madrugada, empolgadaça com o livro. No momento ápice do livro, a tensão comendo os nervos da querida Tissa, CAIU UMA LAGARTIXA NO BRAÇO DELA! Imaginem o escândalo...

segunda-feira, junho 09, 2008

ENQUANTO O MUNDO PEGA FOGO





Eu adoro quando tenho uma boa contribuição do povo do meu trabalho.
São sempre histórias muito divertidas e/ou toscas!
E esse caso não é diferente...

Dia desses, o Chátio estava me contando seu drama.
Ele teve um problema de saúde parecido com o meu, que requeria repouso absoluto por alguns dias.
E por repouso absoluto entende-se que a pessoa não pode fazer esforços, deve se levantar da cama o mínimo possível, andar pouco, não pode carregar peso etc.
Até porque, por ser um problema numa região próxima à virilha - é na perna, gente! - a pessoa fica muito limitada em seus movimentos, qualquer coisinha dói pra caramba!

Daí, num dos dias de repouso, o Chátio estava estirado na cama, quando sentiu um cheiro de coisa queimando.
Como ele sabia que não tinha posto nada para esquentar no fogão, achou estranho e foi verificar.
Ao se levantar e caminhar pelo apartamento, percebeu que estava vindo uma fumaça preta de algum lugar.
E, logo em seguida, soou o alarme de incêndio!

Obviamente, o cara entrou em pânico!
Em alguns segundos, com os movimentos limitados e cheio de dor, botou a filha debaixo de um braço, o cachorro debaixo do outro, abriu as portas e topou com uma fumaceira preta no corredor.
E corre que corre - que nem um pato! - pra descer a escada - que nem um pinguim!

Agora vocês imaginem bem a situação: O CARA DESCEU NOVE ANDARES - MAIS GARAGEM, PLAY E SOBRELOJA - DE ESCADA, CARREGANDO UMA CRIANÇA E UM CACHORRO, NUMA FUMACEIRA FODIDA... E, O PIOR, CONVALESCENDO DE UMA DOENÇA QUE TE DEIXA TODO DOLORIDO!

É claro que, durante todos os momentos, o Chátio ficava pensando: "isso só acontece comigo"!
E, na boa, deve ser só com ele mesmo... :P

terça-feira, junho 03, 2008

HARSH REALM





No aniversário de minha querida amiga que ama os sapinhos, fui a Cabo Frio no intuito de matar as saudades e me divertir com essa criatura à noite, nas comemorações. Só que tudo que vi, na verdade, foram azulejos brancos.

Na verdade, tudo começou quando pisei em Cabo Frio, naquela tarde calorenta. Tinha combinado que, assim que eu fizesse o trajeto da rodoviária até minha casa, ia largar minhas tralhas por lá e rumaria para o centro da cidade, para encontrar minha mãe e minha cunhada, pois cometi a insanidade de me oferecer para ajudá-las nas compras do enxoval da minha sobrinha que estava para nascer.

Na pressa, decidi que iria comer na rua, quando as encontrasse. Mas, para não digerir meu próprio estômago de tanta fome, resolvi tomar um suco de uva em casa. Só tinha uma garrafa de água na geladeira, com cerca de 400 ml. Peguei a garrafa, o suco concentrado, fiz a mistura, mandei um gole pra dentro e... estava horrível!!

Coloquei açúcar, mais água, pinguei mel, dei três pulinhos, mas o gosto não melhorava. Tomei o restinho do suco em sofrimento, só pra não morrer de fome e fui pro centro.

Cerca de 3 horas (uma coxinha, um pastel de queijo e uma coca-cola) depois, parecia que um alien ia sair do meu ventre, tamanha a revolução e barulheira lá dentro! E eu tentando descobrir o que eu tinha comido no dia anterior pra me revivar as vísceras daquela forma... fiquei, é claro, achando que era culpa do tal suco de uva, que devia estar estragado!

Quando cheguei em casa, descobri que, realmente, a diarréia é mais rápida que a velocidade da luz, pois eu entrei no banheiro tão rápido que me aliviei no escuro mesmo. E lá fiquei, passando mal pencas!

Só depois de 1 hora entre idas e vindas do banheiro é que se fez a luz: mamãe toma um remédio para a pressão, cuja base é cloreto de magnésio. Alivia os sintomas de pressão alta, faz bem pra pele e solta bem o intestino. É um pó que ela dissolve em água e, todas as manhãs, ela tem que tomar duas colheres de sopa. Daí, a espertona guarda essa bodega numa garrafa de vidro. Na geladeira. SEM ETIQUETA! E eu, é claro, não sabia disso.

E, não sabendo desse detalhe, ADIVINHEM QUAL ERA TAL 'ÚNICA GARRAFA COM ÁGUA' QUE EU PEGUEI NA GELADEIRA PARA FAZER SUCO? A própria garrafa sem rótulo com o remédio dissolvido, da qual eu bebi cerca de 250 ml e cuja posologia era de DUAS COLHERES DE SOPA AO DIA! Óbvio que o resultado seria um duro reinado no trono de louça! Isso só acontece comigo!

Acabei não tendo condições de festejar com a Mari. E o pior: sabem a que horas eu fui dormir naquele dia? QUATRO HORAs DA MADRUGADA, MERMÃO!

Teve um dado momento em que eu pensei seriamente em levar livro e óculos pra ir ao banheiro. Depois, fiquei lamentando não ter um laptop com acesso à internet...

quinta-feira, maio 29, 2008

WET WET WET





Essa é uma rapidinha, pra vocês não morrerem de saudades de mim...

Hoje, na volta do consultório do psicólogo, passei num supermercado para comprar lguns gêneros alimentícios e produtos de limpeza que estavam fazendo falta aqui em casa.

Daí, dentro do mercado, passei por um enorme freezer horizontal de congelados e afins. Passei vários minutos analisando os nuggets de frango, vendo os pesos, os preços e a relação custo-benefício - coisa que qualquer pão-duro de salário baixo sabe fazer quase que intuitivamente!

Nisso, vi um nugget de uma marca interessante e, como não achava o preço dele no freezer, resolvi pegar uma embalagem pra verificar o preço no caixa. E, é claro, o pacote está bem longe e eu teria que me esticar, me debruçando sobre o freezer.

Foi o que fiz e me arrependi amargamente: O FREEZER GELADO MOLHOU A MINHA BERMUDA E PARECIA QUE EU ESTAVA TODO MIJADO! Tive que ficar passeando pelo mercado, com o carrinho de compras bem na minha frente, fazendo hora para a bermuda secar minimamente e eu poder ir embora... isso só acontece comigo!

segunda-feira, maio 12, 2008

SPEAKING WORDS OF WISDOM



Daí que, na última sexta-feira, 09/05, foi minha formatura!
Depois de um ano, concluí minha pequena pós-graduação em Docência do Ensino Fundamental e Médio, que me garantiu a habilitação em Licenciado em Sociologia!

Nem sabia que tinha formatura, mas também não tava ligando muito pra ela. Como era ante-véspera do dia das mães, nem ia aparecer. Até que a bomba caiu na minha mão: me escolheram ORADOR DA TURMA!

Tá, era eu ou um outro carinha, uruguaio, que fala enrolado, cheio de sotaque e propenso a falar demais. Ou seja, eu nem podia recusar...

Assim sendo, assumi meu compromisso, escrevi um discurso lindo - porém pequeno, visto que haveria mais de 20 turmas se formando no mesmo dia e, por conta disso, o limite de tempo era de 1 minuto e meio para cada orador - e cheio de gracinhas, me muni de coragem e muita cara-de-pau, e encarei a cerimônia.

Não bastasse o fato de apenas outros 3 integrantes da minha turma terem aparecido formatura, a cerimônia foi arrastada e, como não podia deixar de ser, com essa minha sorte toda, EU FUI O ÚLTIMO ORADOR A SE APRESENTAR! Isso só acontece comigo!

Pelo menos, tive minhas compensações: já peguei o meu diploma, me diverti muito com o pessoal que foi na cerimônia e ainda recebi altos elogios pelo meu discurso, vindos de pessoas que nem tinham nada a ver com a minha turma!

segunda-feira, maio 05, 2008

3 RAZÕES PRA VOCÊ
QUERER MORRER DE CATAPORA,
MESMO ESTANDO EM PARIS
COM TUDO PAGO
(roubado da amiga Lah, editado por moi)






Razão número 1:
Você liga a tv e ouve funk tocando. Em um documentário que tá falando como os bailes funk sao 'in', com uns MCs (sério) franceses e tudo tocando. E como a onda do funk vai invadir a Europa. Pelo que deu pra eu entender com meu (praticamente inexistente) francês, vão invadir a Europa em breve. Ainda bem que já tô indo embora.

Razão número 2:
Você vai na Galeria Lafayette e não consegue achar a porra do departamento masculino. Aí você vê uma menina muito bem maquiada num estande de maquiagem e resolve perguntar com seu francês inexistente se ela pode indicar onde é. Você diz 'bon jour' e ela vira pra você com o maior sorriso do mundo. O inglês dela tá no mesmo nível do seu francês (que no momento se resume a saber as palavras "por favor" e "departamento masculino"). Depois de uns 5 minutos, a menina faz "aaaaaaaaaaah", começa a rir muito, mas muito mesmo, e aí consegue formar uma frase em inglês: "I don't work here". Você, obviamente, quer morrer. De catapora. Na hora. E a menina ainda é simpática e chama a vendedora que tava atendendo ela pra te ajudar. E continua rindo muito.

Razão número 3:
Você chega no seu hotel e começa a folhear uma revista. Nela, você vê a foto da menina bem maquiada que não trabalhava na loja sorrindo pra câmera. Aparentemente, na cerimônia em que ela ganhou um Cesar de melhor atriz. E parece que o nome dela é Marion Cotillard, e você se lembra de que quase não foi ao cinema esse ano.

No único ano em que não assisto a porra do Oscar.
Eu disse 'oi', ela virou com o maior sorrisão achando que eu ia pedir um autógrafo e eu pergunto onde é o departamento masculino.

Eu quero morrer.

Mas enfim, de resto tá tudo ótimo, a cidade é linda, eu já tomei mais café em 10 dias do que no resto da minha vida inteira, e é uma pena que eu vou ter que me jogar da Torre Eiffel de tanta vergonha.

Andreh, vou ter que pegar emprestado: isso só acontece comigo.

PS: quando contei pra minha irmã, ela me perguntou (assim que recuperou o fôlego, de tanto rir) se eu tinha pelo menos tirado uma foto com a Marion Cotillard. E É CLARO QUE NÃO TIREI. Por que é que eu iria tirar uma foto com alguém numa loja de departamento, que nem sabia onde era o departamento masculino. Eu só queria achar um cardigã pro Tiago...

segunda-feira, abril 28, 2008

FORCA
(parte 14)






Essa última história que vou contar trata, na verdade, de um roubo... conceitual!
Ninguém sofreu violência, ninguém teve seus pertences furtados, mas foi uma espécie de roubo da inocência de uma pobre garotinha.

Minha amiga Gizana, na época em que éramos adolescentes, tinha uma irmã caçula, a Thayra. Na época, Thayra devia ter uns 7 anos e acompanhou a Gizana por um dia, na feira de ciências da nossa escola. É claro que ela foi a sensação da galera, todo os nossos colegas ficaram babando a menina, conversando com ela, brincando com ela, livrando um pouco a Gizana da obirgação de cuidar da irmã ao mesmo tempo que apresentava seu trabalho.

Num dado momento, começamos a brincar de forca, num quadro-negro. O Thiaguinho, que era nosso 'calouro-oficial' resolveu distrair a Thayra com a forca. E largamos os dois por lá. O que Thiaguinho não contava é que Thayra fosse realmente muito esperta e que nos chamasse aos gritos: ELE, UM RAPAZ DE 15 ANOS, ESTAVA ROUBANDO NO JOGO DE FORCA, CONTRA UMA MENININHA DE 7 ANOS! Eu poderia jurar que isso só acontece comigo, mas aconteceu com ela...

Fomos lá ver e rimos muito da cara do Thiaguinho que, além de não saber perder, morreu de vergonha por ter sido descoberto em seu estratagema para vencer!

segunda-feira, abril 21, 2008

BODE EXPIATÓRIO
parte 13






Eu admito que não sou santo. Já comi muito biscoito e iogurte de graça em supermercados da vida e nunca fui pego em nenhuma das minhas tramóias.

Mas já dei um azar tremendo: FUI BODE EXPIATÓRIO DE UM DELITO QUE NÃO COMETI! E, do jeito que a justiça funciona nesse país, não posso nem dizer que isso só acontece comigo! E lá vem mais uma história velha!

Quando eu estudava em Campos, sempre tinha que passar por Macaé. Tinha uma loja de doces na rodoviária de Macaé, que a gente sempre passava por lá, ou pra comprar doces ou para tão-somente ver as 'novidades' e ficar com água na boca - mera distração nos 20 minutos que ficávamos parados por lá.

Acontece que, numa certa época, a lojinha vinha sofrendo uma série de pequenos furtos. E, é claro, o dono resolveu tomar providências.

Certa vez, depois da Páscoa, eu estava voltando de Cabo Frio para Campos. Na parada em Macaé, desci, fui esticar as pernas e dei uma volta na loja com meus amigos. O meu azar consistiu no fato de ter sido Páscoa e eu, esganado, estava com três bombons no bolso. É claro que, por ser gordinho e estar com uns três bombons para consumo próprio no bolso, o dono da loja achou que eu era o ladrãozinho e chamou o segurança. Foi um inferno!

O segurança me agarrou, me revistou, tive que bater boca, queriam me levar preso (e eu era menor de idade). Só não fui levado de lá porque consegui provar que a loja não vendia 1 dos 3 bombons que estavam no meu bolso (daqueles bombons vagabundos da Arcor, o "Amor doce amor").

O dono da loja me pediu desculpas e tal, mas nada pode apagar a humilhação e a vergonha dos olhares que recebi. Mó chato!

segunda-feira, abril 14, 2008

MEU PÉ ESQUERDO
parte 12






Mais uma história da década passada!
Certa vez, pelos idos de 1995, teve um feriadão em outubro, o mesmo que cai sempre perto do meu aniversário. Tínhamos combinado, mó galerão, de ir pra Cabo Frio. Piggy e Jonivan iriam ficar na minha casa, Aninha, Bruno e Tissa ficariam na casa da Bianca!

Tudo esquematizado, viajamos felizes, alegres, sorridentes - apesar de sem um tostão no bolso, contando apenas com a diversão que a praia poderia nos proporcionar. E foi uma algazarra só: passávamos o dia na praia e, à noite, rodinhas de violão ou passeios pela cidade.

Eis que, no último dia, fomos cedo pra praia, pra aproveitar bem o dia e nos despedirmos do meu paraíso particular. Na hora de 'levantar o acampoamento' pra ir embora, vejo a Piggy inquieta, revirando as coisas todas. Ela estava procurando sua sandália - uma Kenner, moda na época - e não achava o pé direito.

Depois de muito tempo procurando, meu irmão apareceu na praia, nos viu naquele semi-alvoroço e nos explicou que aquilo era o mais novo golpe da praça - ou melhor, da praia: como as sandálias Kenner eram meio caras, OS PIVETES APROVEITAVAM A DISTRAÇÃO DO TURISTA E SURRUPIAVAM UM PÉ DA SANDÁLIA. Assim, o turista, ao 'perder' seu pé de sandália, deixaria a outra na praia - seja na areia, seja na lixeira - e os pivetes, ao fim do dia, sairiam recolhendo o 'lixo'.

Como estou acostumado a andar descalço, ofereci meu par de havaianas clássicas - aquelas de sola branca, com tira amarela - pra Piggy voltar da praia. Foi até engraçado ver o pézinho 34 da minha amiga sambando no meu chinelo 42.

Claro que a Piggy ficou furiosa, pensando "isso só acontece comigo"! E, de sacanagem com o ladrãozinho, ela levou pra casa o pé esquerdo da sandália que lhe sobrou. E olha que esse pé esquerdo de sandália ficou guardado como recordação por muito tempo, na minha casa...

segunda-feira, abril 07, 2008

EDREDON
parte 11




A situação de assalto mais bizarra que passei foi em Campos. Na época, eu ainda estava por lá, no penúltimo ano da faculdade. Numa certa semana de junho, meu orientador me incumbiu de ir ao Rio de Janeiro, pra fazer a renovação das bolsas de iniciação científica (minha e do outro bolsista), de mestrado (de um dos alunos) e do projeto (do meu chefe), concedidas em nosso laboratório. Ele me entregou R$70,00, pra passagens, deslocamento e alimentação. E eu aceitei meu martírio.

Daí que liguei pra minha mãe, avisando que iria pra Cabo Frio no fim de semana e aproveitaria pra ir pro Rio de lá, já que (1) eu não ia pra Cabo Frio há mais de um mês e tava com saudades da minha família, bem como (2) a distância de Cabo Frio pro Rio era menor do que partindo de Campos...

Minha mãe ficou felizona... não só porque eu ia pra casa, mas porque, sabendo que eu estava com dinheiro em mãos, ela poderia me fazer umas encomendas e me pagar quando eu chegasse em Cabo Frio. Nessa época, ainda não havia Casa&Vídeo em Cabo Frio e mamãe pediu pra eu passar na referida loja, em Campos, e comprar dois edredons de casal, cada um na promoção, por apenas R$20,00.

E lá fui eu, no fim de tarde de uma sexta-feira, capengando dentro de um ônibus xexelento, da faculdade para o centro da cidade. Andei um pedaço até chegar na Casa&Vídeo, me pus em bataçha com várias donas de casa desesperadas para conseguir um edredon bonito, fiquei quase uma hora na fila pra pagar e tomei meu rumo, a pé, pra casa. Afinal, pra que gastar mais R$1 de passagem se eu podia andar 1km a pé, carregando uma mochila pesada, uma pasta e 2 edredons volumosos?

Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento, fui. A passos largos, cheguei na metade do caminho e dei uma paradinha, em frente ao curso de inglês da Tia Sandra - a tia da Tissa - e brinquei um pouquinho, através da grade, com as crianças que estavam por la. Me despedi, tomei meu rumo...

... nem bem dei cinco passos, UM CARA MUITO FEIO MEU ABORDOU COM UM REVÓLVER. Ele apontou a arma na minha cara, disse pra não falar nada, não fazer escândalo. Como eu estava com todas as mãos ocupadas, ele mesmo vasculhou meus bolsos e minha carteira e levou os R$30 que tinham sobrado dos R$70 que meu orientador me deu para ir ao Rio. Saiu em disparada, de bicileta. E NEM MEXEU OS EDREDONS!

Isso só acontece comigo: evitei de perder mais dinheiro num assalto porque comprei dois edredons! E não perdi a calma, apenas voltei ao curso da Tia Sandra, avisei à ela e à secretaria o que tinha me acontecido e, juntos, chamamos a polícia, mais para zelar pela segurança da criançada que estava por lá do que para, efetivamente, recuperar meu $$$.

E, por sorte, meu orientador foi bem compreensivo e não me cobrou explicações sobre os gastos... além disso, meu primo de Olaria estava em Cabo Frio e fui com ele, de carona, pro Rio - o que representou também uma economia de dinheiro...

segunda-feira, março 31, 2008

COISAS DO INTERIOR
parte 10






Por mais que a gente ache que a violência é um fenômeno urbano e mais proeminente nos grandes centros, é algo que está mais que generalizado. E há muito tempo!


Afinal, já disse que me roubaram um relógio na praia de Cabo Frio, bem como contei dos ladrões que reviraram a casa de vovó. Até refém eu já fui!

Fugindo um pouco do litoral, adentrando o estado, também fui assaltado várias vezes quando ainda era um jovem estudante secundarista - e, depois, universitário - em Campos. Certa vez, estava eu andando pelas ruas, escuras e desertas e... nada aconteceu.

Quando cheguei na esquina da minha casa - a pensão de D. Mariquita - de frete para uma pequena garagem de ônibus urbanos, depois rapazes me cercaram, de bicicleta, portanto facas e ROUBARAM TODO O DINHEIRO QUE EU TINHA: CINCO REAIS!

Cerca de 1 mês depois, perto do Palácio da Cultura, um rapaz RESOLVEU ME ASSALTAR COM UM ESTILHAÇO DE GARRAFA E LEVOU TODO O DINHEIRO QUE EU TINHA: CINCO REAIS! O descaramento foi tanto que ele me roubou em plena luz do dia, na frente de um lugar cheio de policiais!

Resolvi, então, não andar mais com dinheiro nos bolsos. Andava com o dinheiro dentro de um tubo de Redoxon, dentro da mochila. Quando estava sem mochila, o dinheiro ficava preso no cós da calça ou da bermuda. Daí, fui assaltado na esquina da faculdade, por dois rapazes da favela dos fundos. Como não encontraram dinheiro - eu não pagava ônibus, tinha gratuidade - RESOLVERAM LEVAR MEU ÚNICO BEM: UM RELÓGIO, COMPRADO NO CAMELÔ A CINCO REAIS! Isso só acontece comigo!

segunda-feira, março 24, 2008

UM LADRÃOZINHO DE MERDA
parte 09






Essa história aconteceu com um colega da pós-graduação, xará meu. Achei engraçada a coincidência, pois ele me contou nesse momento em que estou falando de assaltos estranhos e que alguém deixou um comentário com tema similar ao desse assalto.

Há alguns anos, o André Ben-Hur caminhava lépido e fagueiro pelo centro do Rio de Janeiro. Seu passeio pelo centro não era turístico: tinha que fazer uns exames por lá.

Ao atraavessar a rua Rio Branco - uma das principais e mais movimentadas do centro do Rio - um garotão chegou junto. Abordou o Ben-Hur e pegou o saquinho que ele carregava.

Nisso, o cara abriu a sacolinha e DEU DE CARA COM DOIS POTINHOS UTILIZADOS PARA COLETAR FEZES. Ambos os potes continham o material. Daí, o ladrãozinho de merda simplesmente DEVOLVEU A SACOLA AO BEN-HUR!

Não satisfeito, ainda pediu algum dinheiro, um trocadinho. Como o Ben-Hur não tinha, o cara ainda teve o descaramento de pedir cigarros pra ele. Mas o Ben-Hur estava em seu último cigarro. E o ladrão? LEVOU SÓ A GUIMBA DO CIGARRO QUE O BEN-HUR ESTAVA FUMANDO.

E, aposto, tanto o Ben-Hur quanto o ladrão saíram dessa história pensando: isso só acontece comigo!

segunda-feira, março 17, 2008

TOMA LÁ DA CÁ
parte 08






Certo dia, a amiga Clara estava paradinha no ponto de ônibus, em frente ao Rio Sul, esperando algum coletivo para ir a Niterói, pois havíamos combinado com uma galera de ir pra lá, fazer uma bagunça na casa da Tissa.

Na pressa, Clara saiu de casa com apenas R$5, suficientes para a passagem de ida, na expectativa de poder tirar mais $$$ em algum caixa eletrônico próximo ao seu destino. No ponto, meio deserto, um rapaz aborda a Clara...

Ladrão: - Isso é um assalto!
Clara: - ...
Ladrão: - É melhor não reagir, nem gritar!
Clara: - ...
Ladrão: - Passa a grana, tia! Passa a grana!
Clara: - Mas eu só tenho R$5, pra pegar o ônibus.
Ladrão: - ...
Clara: - ...
Ladrão: - Ok. Me dá os R$5, que eu te dou o da passagem!

Sentiram o drama? O LADRÃO DEIXOU TROCO, PRA CLARA PODER IR EMBORA! E quem disse que ladrão não tem bom coração?

É claro que ele deixou pra ela apenas R$2. Daria pra ela pegar um ônibus para qualquer lugar dentro do Rio de Janeiro, mas nem dava pra pegar o ônibus que ia pra Niterói (a R$2,90, na época)...

segunda-feira, março 10, 2008

REFÉM DO SILÊNCIO
parte 07





Agora, vai uma história de assalto, que conteceu há mais de 10 anos. Meu irmão Felippe sempre foi dessas pessoas aficcionadas por marcas. Enquanto eu me contentava com uma camisa bonita qualquer, as dele só podiam ser da Ellus, Forum, Armani.

Daí que virou febre em Cabo Frio usar roupas, calçados e acessórios de uma loja chamada Aquabordo. E o 'fashionista' do Felippe resolveu que se vestiria de Aquabordo da cabeça aos pés. Os preços não eram proibitivos, mas eram meio salgados, embora os produtos fossem de boa qualidade.

Depois de uma coleção de calças, camisas e cintos da Aquabordo, Felippe resolveu comprar um tênis de lá. Passou uns 3 meses guardando uns trocados e resolveu comprar o tênis. Como bom irmão que sou, fui acompanhá-lo. E, além disso, ainda pegamos nosso primo Davi, na época com 7 anos, pra ir conosco, passear um pouco pelo centro de Cabo Frio - depois, é claro, de ouvir todas as mil recomendações de cuidado da mãe do Davi.

E fomos os 3, passeando por Cabo Frio. Paramos na frente da filial da Aquabordo no centro, olhamos a vitrine, falamos brevemente e entramos na loja...

... para sermos surpreendidos por um rapaz, de arma em punho, que rendeu a gente!
Sim, senhoras e senhores, NÓS ENTRAMOS NA LOJA NO MEIO DO ASSALTO! Eu achei aquilo tão absurdo que cheguei a reclamar, achando que era o segurança da loja fazendo alguma brincadeira boba! Isso só acontece comigo mesmo, ficar pensando esse tipo de idiotice dos outros!

Fomos levados, os 3, para uma das cabines de e lá ficamos, com mais outras 2 pessoas. O pobre do Davi tremia tanto! Mas foi valente até o fim: não reclamou, nem chorou, não deu um pio sem ser solicitado. E a nossa grande preocupação era mesmo com ele, uma criança de 7 anos no meio de um assalto. Ainda bem que tudo deu certo e pudemos voltar pra casa.

Quanto ao tênis, por sorte não levaram o $$$ do Felippe - as nossas caras de pobre devem ter contribuído pros ladrões acharem que entramos na loja só pra 'assuntar' - e nos dirigimos, alguns dias depois, para outra filial da loja, onde o compramos.